terça-feira, 23 de junho de 2009

Itabirito se torna referência nacional em gestão do turismo



Cidade foi premiada com o Troféu Roteiros do Brasil, na categoria Gestão Turística de Destino, promovido pelo Ministério do Turismo


Itabirito foi a grande vencedora do Troféu Roteiros do Brasil, na categoria Gestão Turística de Destino. Com o prêmio, Itabirito se torna referência nacional em organização pública na administração do turismo. A premiação é promovida pelo Ministério do Turismo e tem como proposta apresentar os destaques do Programa Regionalização do Turismo no Brasil. A cerimônia de entrega do troféu será no próximo dia 2 de julho, no 4º Salão Nacional do Turismo, em São Paulo.

Mais de 90 destinos, regiões e roteiros turísticos de todo o Brasil que participam das ações do Programa de Regionalização do Ministério do Turismo entraram na disputa. Itabirito conquistou o primeiro lugar. De acordo com o secretário municipal de Patrimônio Cultural e Turismo, Ubiraney Figueiredo, o prêmio confirma a eficiência das estratégias aplicadas na cidade para que o turismo seja uma alternativa de crescimento econômico e geração de renda. “Nosso trabalho foi desenvolvido para que o município pudesse ser oferecido como um produto turístico. Por isso, promovemos ações que nos qualificam para a atividade, diversificando e estimulando os negócios e fomentando a competitividade dos empreendimentos do setor”, afirma O secretário também é presidente da Associação do Circuito do Ouro, da qual Itabirito faz parte. A associação foi agraciada como o melhor caso de Planejamento e Gestão do Turismo Regional.

Projetos

A Secretaria Municipal de Patrimônio Cultural e Turismo, com o apoio de parceiros da iniciativa privada, entidades, governos estadual e federal e outras secretarias da Prefeitura, realiza uma série de atividades que movimentam o turismo local. Uma delas é a realização da Semana do Turismo de Itabirito que neste ano completa sua quinta edição, além de quatro edições das Oficinas de Verão de Acuruí.

Outro destaque é a estruturação do trecho da Estrada Real que passa pelo distrito de Acuruí, com a inserção de marcos referenciais, a criação de roteiros turísticos, realização do projeto “Aprendendo com o Pé na Estrada” e de atividades de capacitação com a comunidade local. A promoção de palestras, cursos e oficinas de capacitação técnica para prestadores de serviços e membros da comunidade, entre outras ações, também integram a relação de projetos.

Alunos em atividade do Projeto Aprendendo com o Pé na Estrada


Lista dos vencedores Troféu Roteiros do Brasil 2009:

- Gestão Turística de Destino – Itabirito (MG)

- Sítio Eletrônico Promocional– Sítio eletrônico da Estrada Real (MG)
- Sustentabilidade Ambiental em municípios – Santana do Riacho (MG)
- Planejamento e Gestão do Turismo Regional – Circuito Turístico do Ouro (MG)
- Roteiro Turístico – Rota das Emoções (CE/PI/MA)
- Roteiro ou Destino Turístico Segmentado – Roteiro Turístico de Sol e Praia Costa dos Corais (AL) - Material Promocional – Material Promocional das Regiões Turísticas do Paraná:
- Sustentabilidade Sócio-Cultural em municípios – MundoJeri: a pluralidade cultural no artesanato - Jijoca de Jericoacoara (CE)

Veja mais: http://www.turismo.gov.br/

quinta-feira, 4 de junho de 2009

Projeto Seresta Descendo a Ladeira

Projeto muito legal que conta com o apoio do blog Observatório do Turismo.

O Projeto Seresta Descendo a Ladeira é realizado desde 2006 em vários pontos do Município de Itabirito.
O Grupo de Seresta é formado por 6 instrumentistas e 30 cantores que relembram peças do cancioneiro nacional.




Apresentação do Grupo de Seresta Descendo a Ladeira

terça-feira, 2 de junho de 2009

PARA CONHECIMENTO E REFLEXÃO


Na última edição da revista Época foi publicada uma matéria sobre a construção do Centro Administrativo do Governo do Estado Minas Gerais.

Acreditamos que seria interessante divulgar os números deste projeto para conhecimento e análise de todos e, portanto, destacamos alguns pontos da matéria:

- O projeto possui 804.000 metros quadrados de área total (equivalente à 97 campos de futebol), e 297.000 metros de área construída.

- O Palácio do Governador terá o maior vão livre de concreto suspenso do mundo, com 147,5m de comprimento por 17,2m de largura.

- Inicialmente a obra custaria R$ 500 milhões, atualmente os valores já chegaram à R$ 1,2 bilhão. Com este valor seria possível construir 4 hospitais como o Instituto do Câncer de São Paulo e ainda sobrariam R$ 120 milhões para um hospital de médio porte.

- Estima-se que mais R$ 50 milhões serão gastos em móveis, divisórias, estrutura de TI e mudança dos órgãos do governo.

- Dentre as nove empreiteiras que trabalham na obra oito doaram dinheiro para pelo menos uma das campanhas de Aécio para o governo do Estado.

Fonte: Revista Época – N° 576 – 1° de junho de 2009. Título: A “Disneylândia” de Aécio.

TURISMO: FRUTIFICAI E MULTIPLICAI

O Ministério do Turismo através de parceria com o SEBRAE e BRAZTOA implantou no ano de 2006 o Projeto Vivências Brasil, cujo objetivo é multiplicar as boas e melhores práticas do turismo brasileiro através da experiência vivenciada de empresários em atividade turística em destinos reconhecidos nacionalmente.

Através de metodologia baseada na técnica de Benchmarking, o programa possibilita a incursão de grupos de empresários em destinos selecionados, com vista à observação de estratégias e modelos que possam ser adaptados em negócios similares próprios e de seu entorno.

O Projeto em diferentes etapas já permitiu a troca de experiências e levantamento de informações em importantes regiões, com destaque para Fernando de Noronha, Bonito, Foz do Iguaçu, Rio de Janeiro e Parati, Serras Gaúchas, Costa dos Coqueiros e Estrada Real no Brasil e Costa Rica, Peru, México, Portugal, Espanha, África do Sul, Chile e Nova Zelândia no exterior.
A última etapa do projeto consistiu na busca de experiência da prática do turismo social com ênfase no segmento da Melhor Idade e do termalismo praticados em Caldas Novas – Goiás. Estrategicamente selecionados, empresários da hotelaria das diversas regiões do País avaliaram durante seis dias as estratégias e ações implantadas nos empreendimentos hoteleiros do destino visitado.

Participaram desta vivência, o Hotel Solar Corte Real da cidade de Sabará/MG, Ouro Minas Grande Hotel e Thermas de Araxá/MG, o Hotel União de Janaúba/MG, Termas de Marcelino de Marcelino Ramos/RS, Hotel Marajó de Soure/PA, Thermas de Mossoró/RN, Pousada Águas da Montanha de Guarapari/ES, além de um técnico do Projeto Viaja Mais Melhor Idade e uma representante da ABCMI – Associação Brasileira dos Clubes da Melhor Idade, da Paraíba.

Com roteiro pré-elaborado e com acompanhamento técnico de consultoria externa, o grupo participante visitou e registrou dezenas de projetos e conheceu diferentes modelos de gestão adotados pelos empresários locais, sejam eles relacionados à estrutura física dos empreendimentos, formatação de produtos segmentados, excelência e inovações em serviços ou mesmo a adoção de programas de responsabilidade sócio-ambiental nas empresas. Permitiu-se ainda, a troca de informações e o estabelecimento de diálogos com o trade local, em debates realizados com representantes do SEBRAE/GO, da Secretaria de Turismo e Convention Bureau de Caldas Novas e Rio Quente.

Não se trata de um projeto que vai revolucionar o turismo no Brasil ou resolver de vez as deficiências vividas pelo setor e tampouco promover a sonhada e desejada transformação tecnológica e a qualificação e formação de pessoas que atuam no segmento. Imagina-se também que o Governo Federal, através do MTur não sugere que os destinos escolhidos, como Caldas Novas em Goiás, são modelos acabados e estão com seus problemas resolvidos. Trata-se, de uma proposta inovadora com significados e perspectivas de longo prazo, haja vista o compromisso dos empresários participantes com a multiplicação das boas e melhores práticas observadas, além da abrangência do projeto como um todo.

Destarte, o caráter visionário e messiânico deste projeto permite-nos afirmar que nunca na história do turismo deste país, parafraseando o Presidente Lula, um programa implantado sem muito alarde pudesse criar tantas perspectivas de soluções para o segmento. Por isso, ao invés do sugestivo slogan atual “aprendendo com o turismo nacional” cairia muito bem a utilização da passagem bíblica “frutificai e multiplicai” em vista da filosofia e a ousadia na desconstrução de conceitos, paradigmas e mitos percebidos no escopo e na essência da proposta.


Luiz Neves de Souza
Mestre em Turismo e Meio Ambiente
lunesconsultoria@yahoo.com.br

segunda-feira, 18 de maio de 2009

EM QUE POSIÇÃO NÓS REALMENTE ESTAMOS?



Estrada Real
Igrejas fechadas decepcionam turistas

“Eu e três amigas, em busca de um bom passeio de fim de semana, optamos pelo circuito da Estrada Real, entre Barão de Cocais e Brumal, passando por Santa Bárbara e Catas Altas, na Região Central do estado. Em nossa mente, igrejas barrocas, monumentos, lindas paisagens, artesanato, doces, produtos típicos mineiros para presentear amigos. Fomos, vimos e saímos de mãos abanando. As igrejas, o comércio e os serviços de apoio turístico estavam fechados – isso num sábado de manhã. Ficamos sabendo que nos fins de semana nada funciona, o que é um contrassenso. Não havia sequer um banheiro, uma sorveteria (a única de Catas Altas estava inoperante), um restaurante legal (conseguimos um em Brumal, já no fim do passeio). Turistas estrangeiros, cheios de máquinas fotográficas sofisticadas, desanimados, não entendiam o porquê de tanto descaso. Então é assim que o governo pretende incrementar o turismo em Minas? Parece piada, mas restaurante fechado no horário de almoço é mesmo o fim da picada. Vamos acordar, minha gente!”

Maria Solange Amado Ladeira - Belo Horizonte
Carta transcrita do jornal Estado de Minas do 1º de abril de 2009 - Primeiro caderno “Cartas à Redação", pág. 8.
----------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------

Nos últimos dois anos houve uma ampla divulgação sobre a 2ª posição de Minas Gerais no ranking do turismo receptivo no Brasil. A partir disso, muitos foram os que proclamaram que a política pública do estado seria o fator principal deste avanço. No entanto, acredito que a carta acima demonstre de forma mais transparente a situação atual do turismo mineiro. Não quero aqui discutir o mérito e as particularidades das informações descritas, mas sim o sinal de alerta que este relato aponta.

A turista em questão cita a inoperância de atrativos e serviços básicos para ocorrência de viagens em Catas Altas, Santa Bárbara e Barão de Cocais, mas isso não é exclusividade destas localidades. Na verdade esta é uma situação comum em quase toda Minas Gerais.

Já são 6 anos da política de regionalização nas atuais administrações federal e estadual, e algo em torno de 10 anos, se considerarmos a gestão de Itamar Franco. Entretanto, o fato é que os resultados são inexpressivos e esta política não transformou em realidade o turismo no estado. Por exemplo, é possível responder com exatidão quais são os resultados palpáveis em termos de aumento de fluxo de viajantes; de crescimento do número de empresas turísticas; de geração de emprego; ou de distribuição de renda?

Atualmente, a atividade turística em Minas necessita de políticas públicas de turismo eficazes, que proporcionem resultados factíveis e convincentes. Para tanto, é fundamental que seja transformada a atuação do governo. É preciso que os nossos governantes encarem a atividade turística como uma área estratégica para o desenvolvimento do estado.

Neste ano vimos ações do governo federal direcionadas à diminuição da tributação dos setores automobilístico e de eletrodomésticos, além do programa de incentivo ao crédito para a compra de casas próprias. Tudo isso gerou o aumento de vendas e fez com que a indústria automobilística tivesse seu melhor 1º trimestre da história.

A atividade turística em Minas também precisa de incentivos. A tributação do setor precisa de uma revisão urgente e é necessário que sejam criados subsídios concretos para a instalação de novas empresas nos setores da hotelaria, agências de receptivo no interior, pequenas empresas de transporte. Caso contrário, no futuro as experiências dos turistas não serão muito diferentes do que foi relatado no jornal.

A estratégia de promoção do turismo de Minas também está no sentido inverso do ideal. Atualmente investe-se muito em divulgação fora do estado e do país, mas não há estímulo para que o mineiro realize viagens dentro do seu próprio estado. A consolidação da atividade no estado deveria estar fundamentada no aumento dos fluxos regionais, o que não é verificado hoje. São ao todo 43 circuitos, os quais envolvem 600 municípios, mas que de fato não se traduzem em regiões turísticas para os seus moradores.

Estamos em um momento crucial entre a profissionalização da atividade turística ou a frustração que poderá vir do fracasso da política de turismo adotada. Desse modo, a criação de um ambiente favorável a investimentos poderá ser o passo no sentido do estabelecimento de uma posição sólida de Minas Gerais no contexto do turismo nacional.


André Viana de Paula
Consultor em Gestão Pública e Privada do Turismo
vianadepaula@gmail.com

quinta-feira, 16 de abril de 2009

REGIONALIZAÇÃO DO TURISMO - PARTE 1


Este artigo se propõe a analisar a implantação de territórios turísticos regionais, que define novas estruturas de organizações socioespaciais. Essa tem sido a referência das políticas de turismo no Brasil. Políticas federal e estaduais têm apresentado programas e projetos que visam esse (re)arranjo do espaço, mas é importante refletir sobre o que significa essa estruturação regional e quais são as suas conseqüências.

No Brasil, pode-se destacar que a regionalização do turismo está na pauta do governo federal desde 2003, tornando-se uma questão referencial para a discussão sobre o desenvolvimento deste setor no país. Essa proposta determina a reconfiguração do arcabouço territorial, que implica na sua interiorização, ampliando, com isso, o número de empresas turísticas e, consequentemente, o número de emprego e a renda dos moradores das áreas de destinos turísticos e provocando a desconcentração espacial da economia (PNT 2003-2007).

A princípio a estruturação regional do turismo é vista, também pelos governos estaduais e municipais, como uma solução para que os municípios de menor porte, mas com potencial turístico, se associem aos pólos, possibilitando uma maior capacidade de captação de recursos, de capacitação dos recursos humanos e de divulgação do potencial turístico dos municípios.

Dessa forma, a partir da regionalização o turismo deixa de ser produzido em áreas urbanas isoladas, e passa a ser constituído por um conjunto de lugares turísticos. Essa alternativa espacial visa facilitar e dinamizar as relações socioeconômicas, ampliando os fluxos que vinculam as localidades, se conformando em múltiplas territorialidades, estruturadas através de redes complementares de equipamentos e serviços turísticos e de infra-estrutura básica, compondo um produto turístico final mais complexo.

Neste sentido, a estrutura de rede, estabelecida a partir do processo de produção do espaço regional, visa gerar um sistema de relações, instituindo novas interações entre os municípios e entre os diferentes atores envolvidos. Através desse processo pretende-se, portanto, desencadear uma série de desdobramentos socioespaciais, econômicos e políticos, que extrapolam as decisões municipais.

Porém, uma das questões que deve ser colocada para o debate é: Quais são os efeitos práticos dessa estruturação regional do turismo? O que se pode perceber até então são iniciativas sobrepostas de modelos implantados nos estados, a partir de diferentes atores políticos e sociais. E, todos eles, até então, com dificuldades de consolidação e de convencimentos de setores chaves da cadeia produtiva do turismo para o incremento dos produtos regionais. Inicialmente, esses são alguns aspectos relevantes para abrir uma discussão acerca dos resultados concretos da atual Política Nacional de Turismo.




Profª. Mônica de Castro Domingos
Mestre em Geografia e Meio Ambiente e
Bacharel em Turismo







Profª. Marcella Cristiane Amaral Scotti
Mestre em Geografia e Meio Ambiente e
Bacharel em Turismo

domingo, 5 de abril de 2009

O SUJEITO DO TURISMO: A BUSCA PELO PRAZER DA VIDA EM SOCIEDADE



O fenômeno turismo movimenta-se em diferentes fronteiras do conhecimento e das ciências, e seu entendimento passa necessariamente pela aproximação dos diversos campos do saber. A sociedade atual, ao mesmo tempo em que é global, passa, também, por um processo de identificação grupal, o que Maffesoli chama de tribalismo (1996: 15-16), na qual a ética, que agrega o grupo, torna-se estética, emotiva, comum, possibilitante de uma mistura do arcaico com o contemporâneo tecnológico, onde a satisfação nasceria da expectativa da procura do prazer, que se situa na imaginação dos sujeitos individuais e grupais.

A motivação desses sujeitos em relação ao consumo, não é simplesmente materialista, existe a procura de vivenciar, “na realidade”, os dramas agradáveis que já vivenciaram em sua imaginação, mesmo que estes jamais sejam perfeitos e por vezes conduzam à desilusão e ao anseio por produtos novos.

Entender o sujeito do turismo como tipo ideal weberiano é restrito ao homo economicus, e a esse sujeito são negados a prosa e poesia que se traduzem em viver na participação, no amor, no fervor, na comunhão, na exaltação, no rito, na festa, na embriaguez, na dança, no canto, o que, efetivamente, transfigura a vida prosaica, feita de tarefas práticas, utilitárias, técnicas. Partir de férias é um acontecimento dotado de uma série de significados, turismo é processo humano, ultrapassa o entendimento como função de um sistema econômico.

O fenômeno turístico influência é influenciado pela produção da subjetividade social, o ecossistema, o modo estético e a herança cultural das localidades visitadas, ao tempo em que é, sim, umas das atividades econômicas que mais cresce no mundo a uma média de 7% ao ano de 1950 a 1990 segundo a OMT.

Deve-se entender o turismo como uma importante atividade econômica, que possibilita a geração de emprego e de renda, mas turismo significa conhecer as causas que fazem com que haja a necessidade das viagens, significa compreender que o sujeito do turismo, esse homem pós-moderno, urbano, cada dia mais racional e sedentário têm por necessidade encontrar-se, buscar a felicidade e conhecer o outro, portanto compreender o turismo é desta feita conhecer as pessoas, conhecer o novo, vivenciar expectativas.





Fernando Ottoni
Turismólogo e Especialista em Turismo e
Desenvolvimento Sustentável

terça-feira, 31 de março de 2009

Revitalização do Centro Histórico de Itabirito: estratégia urbanística de preservação e divulgação patrimonial


As propostas de revitalização de sítios coloniais tem adquirido destaque nas políticas urbanísticas das cidades mineiras. Conforme discutido nos textos anteriores, os objetivos que impulsionam os governos municipais na recuperação de espaços construídos no passado, alguns selecionados como patrimônio, transitam entre a participação no ICMS Cultural e a inserção das cidades no mercado do turismo cultural.

No caso do município de Itabirito/MG, a decisão de revitalizar o Centro Histórico partiu do poder público municipal, como continuidade das ações de defesa do patrimônio histórico desenvolvidas desde 2005. A revitalização foi justificada pelo significado da área para a história local como primeira região povoada. A administração municipal buscou realçar o casario colonial, reafirmando o passado da localidade e aproximando-o ao das cidades vizinhas, Ouro Preto e Mariana. Desta forma, pretende-se transformar a área revitalizada em destino turístico, assim como despertar a atenção dos habitantes locais para essa região, fortalecendo vínculos de pertencimento e reforçando a identidade coletiva.

Para realçar os elementos presentes nos imóveis, foram retiradas as intervenções sobrepostas a cantaria existente em algumas construções. Em 2007, em parceria com a Associação das Cidades Históricas, foi implantada a sinalização com placas de rota de pedestre, importante instrumento de orientação para os visitantes. O projeto contemplou, em 2008, a recomposição de trechos do calçamento de pedra, implantação de painéis com dados históricos e reversão de degradações nos imóveis tombados. No entanto, a proposta de requalificação do Centro Histórico ainda não foi concluída, sendo que, para os próximos anos, deseja-se executar o cabeamento subterrâneo da rede elétrica e a reforma de outras edificações.

Em Itabirito, é perceptível como a imagem da cidade é construída a partir de vários elementos que distinguem o município na disputa pelo capital externo, entre eles o patrimônio histórico edificado, interpretado pelo poder público como símbolo da identidade local. Resta saber como a população se apropria dos elementos definidos como patrimônio pelas instâncias governamentais, pois o destino da política de preservação no município depende, em muitos sentidos, de como a comunidade interpreta e cuida de seus bens culturais, independente de sua vinculação ao turismo.

Bianca Pataro
Historiadora e mestranda em Ciências Sociais pela
PUC Minas na áreade Sociologia Urbana.

segunda-feira, 16 de março de 2009

O ICMS Cultural e a preservação patrimonial em Minas Gerais: questionamentos


A municipalização da proteção ao patrimônio cultural, promovida pelo IEPHA/MG no final da década de 1980, contribuiu para que muitos municípios de Minas Gerais organizassem legislações de preservação dos bens culturais. Além disto, a partir da implementação da Lei Estadual nº 12.040/95, conhecida como lei Hobin Hood, e da definição dos investimentos municipais em bens culturais como um dos critérios para a distribuição do ICMS, a preservação do patrimônio foi impulsionada pelas administrações públicas municipais, visando o repasse tributário[1].

Desde 1996, tem aumentado significativamente a participação dos municípios na distribuição do ICMS Cultural. Para o exercício de 2009, segundo dados divulgados pela Gerência de Cooperação Municipal do IEPHA/MG, 646 municípios mineiros foram pontuados e receberão mensalmente cerca de 20 mil reais por ponto obtido. A crescente participação das cidades mineiras no rateio do ICMS Cultural indica a existência de legislações municipais específicas para a proteção do patrimônio cultural e aponta para a atuação dos conselhos de patrimônio e para a realização de tombamentos, inventários e atividades de educação patrimonial.

São positivos os resultados da municipalização da proteção do patrimônio em Minas Gerais, sobretudo na divulgação de bens culturais localizados em pequenas localidades e, muitas vezes, desconhecidos por seus moradores. Alguns elementos definidos como patrimônio cultural não tem representatividade fora dos limites municipais e não são alvos do mercado turístico. Porém, remetem às tradições de um pequeno grupo social e atuam como mediadores entre o presente e o passado da comunidade, o que desperta para a importância de sua preservação.

No entanto, diante da expressiva participação dos municípios no ICMS Cultural, surgem certos questionamentos: as prefeituras mineiras têm utilizado os recursos financeiros advindos deste repasse para efetivamente preservar os bens culturais? As ações de educação patrimonial visam integrar a população ao processo de preservação ou são apenas usadas para atender às exigências do IEPHA/MG? Como o poder público municipal atua junto aos moradores das áreas tombadas?

Os elementos definidos pelo poder público como patrimônio são vestígios de relações sociais e representam a cultura e as interações sociais experimentadas no passado. Porém, segundo Jeudy (2005, p. 19), “Para que exista patrimônio reconhecível, é preciso que ele possa ser gerado, que uma sociedade se veja o espelho de si mesma...”. A proteção legal dos bens culturais não garante sua preservação e seu reconhecimento pela comunidade. Assim, devemos refletir sobre a atuação dos governos municipais nas ações de proteção patrimonial, ressaltando a necessidade do envolvimento comunitário para que o ICMS Cultural seja revertido na conservação dos bens tombados e que permitem aos municípios receberem tal recurso.

[1] Em 2000, foi aprovada a Lei Estadual nº 13.803 que substituiu a Lei Hobin Hood, mas não alterou o critério referente ao ICMS Cultural.

Referência bibliográfica
JEUDY, Henri-Pierre. Espelho das cidades. Rio de Janeiro: Casa da Palavra, 2005.



Bianca Pataro
Historiadora e Mestranda em Ciências Sociais pela
PUC Minas na área de Sociologia Urbana.




quinta-feira, 12 de março de 2009

TURISMO: FORMAÇÃO X ATUAÇÃO PROFISSIONAL - PARTE 1: FORMAÇÃO


A formação profissional em Turismo passa por um momento de singular importância, que demanda especial atenção do ponto de vista das transformações e resultados a serem gerados para profissionais e sociedade.
Os 10 últimos anos do setor foram marcados pela ascensão e queda dos cursos de bacharelado em Turismo de instituições privadas por todo o país. Entre 2001 e 2003, o estado de Minas Gerais possuía oferta de quase 50 cursos, sendo que, agora em 2009, não há mais do que 10 em plena atividade. Infelizmente, nem o crescimento e nem o decréscimo verificados de cursos significou ganho de qualidade na formação dos estudantes.

Projetos pedagógicos arcaicos, capital humano despreparado, redução drástica de investimentos em atividades práticas, colegiados e corpo docente sem espaço para participar e intervir nas tomadas de decisões, inexistência ou desempenho insatisfatório de laboratórios e projetos de extensão, carência de bons projetos de iniciação científica, e falta de sintonia com o mercado de trabalho, são alguns dos fatores comuns aos cursos e muito prejudiciais ao aprendizado dos alunos.

Interesses meramente mercadológicos e financeiros, sem qualquer compromisso com a qualidade da formação dos graduandos, têm estimulado instituições a ofertarem novos formatos de curso superior, os quais muitas vezes nada mais são do que o resumo de cursos ruins já degradados que recebem uma maquiagem de modernidade e resultado de curto prazo. O fato é que é freqüente a formação de profissionais cada vez menos capazes de compreender a atividade turística e suas inter-relações de ordem econômica, cultural, social e ambiental, e de atuar com destaque nos diversos segmentos do setor. Ao final a única “vantagem” para o aluno é a redução das parcelas de pagamento para a obtenção do diploma, o qual se mostra pouco eficiente em geração de oportunidades, trabalho e renda dignos, e satisfação pessoal.



O objetivo deste artigo não é o de desconsiderar a necessidade de cursos Técnicos e Tecnológicos para o setor de turismo. Isso é inquestionável. Mas ao realizar uma análise sobre os currículos de vários cursos técnicos, tecnológicos e de bacharelado nesta área, verifica-se a similaridade nos conteúdos e propostas em rota de colisão. O resultado são técnicos e tecnólogos formados sem deter competências operacionais, e bacharéis sem habilidades estratégicas e gerenciais. Ao final, a ineficácia dos cursos torna-se aparente e estes acabam por adentrar ciclos de decadência caracterizados pela queda das receitas, diminuição de investimentos, perda de qualidade e redução da demanda.

Assim, é extremamente importante que sejam definidas as competências de cada um dos tipos de cursos existentes e que as instituições estabeleçam o compromisso com a formação profissional adequada aos objetivos dos estudantes e coerentes com a realidade do turismo.A perspectiva de crescimento superior da atividade turística em relação ao PIB nacional somente será viabilizada se o país puder contar com profissionais capazes de analisar, inovar e gerir o turismo com inteligência. Portanto, é inadmissível que profissionais continuem sendo formados sem entender qual o seu campo de atuação.


André Viana de Paula
Consultor em Gestão Pública e Privada do Turismo






segunda-feira, 9 de março de 2009

Patrimônio histórico e mercado turístico: reflexões iniciais

Atualmente, a preservação do patrimônio cultural edificado tem ocupado lugar central nas estratégias públicas de gestão dos municípios mineiros. O uso turístico de sítios coloniais urbanos provocou uma onda de revitalizações, restaurações e tombamentos visando conservar e divulgar os bens culturais, atrair públicos externos e melhorar a participação das cidades no ICMS Cultural – repasse tributário do Estado de Minas Gerais para os municípios que investem em preservação dos bens culturais.

Neste contexto, nota-se que os centros urbanos transformaram a cultura em atrativo para o capital. Os bens históricos arquitetônicos, interpretados como signos das identidades regionais e reafirmados como artefatos locais autênticos, são apresentados ao mercado turístico como produtos. No entanto, o status simbólico de mercadoria, adquirido pelos imóveis antigos, possibilita a reflexão sobre os significados atribuídos e os usos cotidianos desses espaços por seus moradores.

Nas sociedades ocidentais contemporâneas a noção de mercado de bens e informações culturais é ampliada, ocorrendo cada vez mais a mediação do consumo pelas “imagens culturais”. Na perspectiva patrimonial, observa-se que os bens culturais são divulgados como produtos que permitem ao expectador a experiência do passado. A circulação por entre prédios e vias antigas não significa apenas o contato material com vestígios de um tempo pregresso, mas a própria vivência do passado. Entende-se que o discurso de preservação difundido em cidades mineiras, entre elas Tiradentes, Mariana e Diamantina, além de realçar o patrimônio local como marco identitário, afirma sua importância como alternativa turística e incentiva seu consumo através de um apelo simbólico: possibilitar ao turista o contato com o passado.

Porém, ofuscados por centros históricos iluminados e repletos de atrativos, como bares, serestas e lojas de artesanato, esquecemos que a constituição urbana aponta para relações atuais e pretéritas de ocupação das cidades. A noção de que o fenômeno urbano se caracteriza pelo acúmulo de bens culturais socialmente construídos no tempo é maquiada com as mesmas tintas que cobrem as fachadas revitalizadas. O presente, através de suas características arquitetônicas e sociais, é empurrado para as periferias ou fica recluso no interior das casas de traçado colonial. Aparentemente, o fluxo não alterou o passado materializado nas construções. É essa a idéia central de muitas ações de revitalização patrimonial com vistas ao mercado turístico. Nosso desafio é definir como preservar para que as dinâmicas contemporâneas não sejam soterradas pela necessidade comercial do passado e as cidades transformadas em cenários.


Obras de revitalização da Praça da Sé em Mariana/MG


Conjunto arquitetônico em Tiradentes/MG




Bianca Pataro
Historiadora e Mestranda em Ciências Sociais pela
PUC Minas na área de Sociologia Urbana.





quinta-feira, 5 de março de 2009

Turismo de Vilarejos – Lazer, cultura e experiências singulares



A vida agitada e desgastante das cidades tem provocado a busca por ambientes tranqüilos, saudáveis e que ofereçam experiências culturais enriquecedoras para as pessoas em seus momentos de folga.

Nesse contexto, o turismo de vilarejos, atividade caracterizada pela visitação de pequenas localidades rurais, é uma boa opção por oferecer tradições culturais e o jeito de ser do mineiro, de forma autêntica e atraente aos olhos dos visitantes.

Distritos como Acuruí e São Gonçalo do Bação em Itabirito; Ipoema em Itabira; Glaura, Santo Antônio do Leite e Amarantina em Ouro Preto; são alguns dos exemplos de localidades com atrações culturais variadas.


Dia tranqüilo em São Gonçalo do Bação
Participar da produção de doces de leite ou goibadas cascão; vivenciar o dia a dia do campo, desde a retirada do leite até a produção do queijo; colocar a mão na argila para moldar peças artesanais; ou ver todo o processo de produção da boa cachaça mineira, são algumas das possibilidades.

A interação nas festas populares e religiosas com suas cores, sons, ritmos e ritos imunes às mudanças impostas pela modernidade, permitem a volta às origens da cultura mineira.

O papo despretensioso com um morador local na porta de uma venda qualquer, agregado ao conforto rústico de um bom hotel fazenda ou de uma pequena pensão domiciliar, concluem o desligamento total da rotina diária nas cidades.

Doces e artesanato em Acuruí comprados dos próprios artesãos
O fato é que esta riqueza cultural está à disposição de todos, em percursos muitas vezes inferiores a 100 km desde a capital mineira e com custos adequados a orçamentos pessoais diversos.

Entretanto, o outro lado desta questão é que ainda há pouco interesse de administradores públicos e privados na correta organização do turismo nestas pequenas localidades. Na maioria das vezes os gestores preocupam-se somente com os grandes eventos e atrações dos distritos sede, atestando assim, sua miopia em relação ao turismo vivencial no meio rural e às possibilidades de geração de ocupação e renda nas localidades.

Assim, são necessários a avaliação das características que constituem a atratividade de cada local, o envolvimento de líderes comunitários e pequenos empreendedores no processo de construção da atividade turística e a discussão constante com os moradores sobre os rumos e os objetivos que deverão ser definidos para a localidade.

Por fim, o turismo de vilarejos é uma possibilidade real para Minas e, se observada e preparada com atenção, será um grande diferencial do setor por sua gama de atrações de acesso fácil e incontestável singularidade.







André Viana de Paula
Consultor em Gestão do Turismo

terça-feira, 3 de março de 2009

POUSADAS NA CONTRAMÃO DO MERCADO


Nos últimos dez anos, o mercado de turismo viu surgir, especialmente no trecho da Estrada Real, dezenas de centenas de pequenas Pousadas. Entoados pelo Samba de Enredo da “Verde e Rosa” esses empreendimentos, como se fossem o “ouro de aluvião” do setecentos mineiro, brotaram nas terras de Minas, nos mais diferentes cenários.

É curioso destacar que essas pequenas pousadas são caracterizadas mais pelo aspecto plural e menos pela sua singularidade. Alguns elementos, salvo raríssimas exceções, são percebidos em quase todas as peças promocionais desses estabelecimentos: existência de uma bica d’água no quintal, proximidade de uma pequena cascata ou cachoeira, comida no fogão à lenha, uma lata de leite velha decorando a recepção, um tacho pendurado na parede e a cama com uma colcha de “fuxico” e um oratório ao lado. Sob o prisma da gastronomia é sempre oferecido ao hóspede o tradicional pão de queijo, a broa de canjica ou de fubá, o queijo minas, o frango com quiabo, com ora-pro-nobis ou molho pardo e o feijão tropeiro.

Essa “comoditização” de produtos e serviços surge como se uma grande pesquisa de mercado, com a utilização das mais modernas ferramentas do marketing, tivesse apontado o perfil de produtos e serviços desejados pelo consumidor mineiro ou de outra Região do País. Surge como se um plano de viabilidade coletivo tivesse demonstrado a priori a sustentabilidade desse contingente de empreendimentos contados em milhares.

Diferentemente da indústria de transformação, das franquias de fast food ou de chocolates, que antes de se instalarem em um determinado local, se submetem à rigorosa pesquisa de mercado, a planos de viabilidade consistentes, a estudos de cenários, análises de concorrências etc., essas pousadas surgiram no boom da Estrada Real apenas motivadas pelo hobby de empresários de outros setores, pela possibilidade de diversificação dos investimentos pelos profissionais liberais ou por que alguém tinha um sítio improdutivo, uma fazenda “velha” ou pela existência de água que corria no fundo do quintal. É uma espécie de “I have a dream” tupiniquim, apenas para usar a célebre e recorrente frase de Martin Luther King, apropriada nos últimos meses por Barack Obama.

O resultado, uma década mais tarde, é que boa parte dessas pousadas está fechando suas portas para o turismo ou se tornando a principal ou a segunda residência desses empreendedores. Durante andança por alguns trechos da rota chamada de Estrada Real, no último janeiro, foi possível constatar empreendimentos completamente vazios ou quando muito, com três a cinco pessoas, completando as famílias dos proprietários. Isso, em pleno período de férias escolar e no mais fervoroso verão brasileiro!

Mas o resultado não poderia ser outro. Em linhas gerais, as pousadas não se preocupam ou não se preocuparam com algumas essenciais ferramentas de gestão. Não pensaram sequer em colocar profissionais do atendimento para o primeiro contato com o cliente. Ora, nem todos os locais têm as características temáticas para que as pessoas sejam atendidas por “gerentes-caseiros” com “pito de palha” no canto da boca ou por “recepcionistas-quitandeiras” com aventais sujos de biscoito de polvilho. Por mais pitoresca ou rural que seja um empreendimento desta natureza são necessárias algumas estratégias de marketing. Seja para a diversificação de produtos, para a promoção adequada do lugar, para a execução de um plano de mídia satisfatório, seja para a implantação de um plano de gestão profissional ou pelo menos para treinamento de pessoal. Quando muito, algumas têm sites de qualidade razoável, que muitas vezes nem retratam com legitimidade os serviços ou produtos oferecidos nesses locais.

Nesse sentido, diante da elevada concorrência entre os empreendimentos de pequeno porte e também entre os destinos mineiros, aliados à inexistência de grandes campanhas promocionais oficiais da Estrada Real, como visto no início da década - que impulsionaram o surgimento da maior parte dessas pousadas - e as deram alguma sustentação midiática espontânea, é urgente a necessidade desses pequenos empreendedores se voltarem aos ditames mercadológicos, para buscar sua sobrevivência empresarial ou mesmo para proteger os investimentos feitos para realizar seus sonhos.

É preciso, contudo, andar na mão da eficiência de mercado e deixar um pouco o silêncio e a simplicidade exagerada que às vezes permeiam o estereotipo do mineiro, prejudicando a realização de projetos consistentes e com resultado financeiro desejável.




Luiz Neves de Souza
Mestre em Turismo e Meio Ambiente
Especialista em Gestão de Empreendimentos Turísticos
luiz@solarcortereal.com.br

sexta-feira, 27 de fevereiro de 2009

TEMPOS DE CRISE ou de OPORTUNIDADES?



Nos últimos meses a crise do sistema financeiro internacional tem dominado as páginas dos jornais e os noticiários da TV. Ao contrário do que alguns pensavam, ela chegou com força ao Brasil e tem provocado redução da produção industrial, queda na demanda por bens e serviços e, lamentavelmente, a demissão de milhares de trabalhadores.

No estado de Minas Gerais os setores da mineração, siderurgia e automobilístico foram muito afetados. Este fato acendeu um alerta para todos os gestores públicos municipais que, entre 2005 e 2008, contaram com arrecadações crescentes e em 2009 serão obrigados a trabalhar com receitas até 30% menores em comparação com o último exercício.

Assim, é desenhado também no setor público um cenário de urgente necessidade de redução de despesas, investimentos e quadro de pessoal.

Diante disso, é importante que os administradores municipais façam a devida análise sobre a importância da adoção de planos de longo prazo como ferramentas de desenvolvimento e fortalecimento dos seus municípios. Pois o estabelecimento de políticas que visem a diversificação econômica pode diminuir a dependência de setores específicos e dar maior poder de reação aos municípios em períodos de crise.

O momento turbulento pelo qual estamos passando deve ser entendido como uma boa oportunidade para reflexões e decisões inteligentes sobre alternativas de desenvolvimento econômico e social para as cidades. Muitas são as possibilidades em diversas áreas como tecnologia, industrial e agropecuária, dentre outras, mas destaco aqui a gestão estratégica do turismo.

O investimento na profissionalização e crescimento da atividade turística pode ser uma alternativa viável de captação de investimentos, entrada de divisas e geração de ocupação e renda nos municípios. Para tanto, dois fatores são fundamentais, o planejamento estratégico e a inovação.

De um lado, a implantação de um planejamento estratégico que defina programas, projetos e ações com metas de curto, médio e longo prazo é fator sine qua non para o início de uma atividade sustentável. Por outro lado, a inovação deve ser prática do dia a dia, onde o administrador deverá buscar a evolução constante dos serviços e resultados do setor público junto à atividade turística.

Estes dois fatores orientarão o correto uso dos recursos e a otimização dos investimentos, bem como, a criação de atrações, o fomento de novos negócios e o estabelecimento de parcerias estratégicas. Tudo isto fortalecerá as vocações dos municípios, consolidando-os como destinos diferenciados da maioria.

Com isso, fica o alerta para os gestores públicos, não só para a crise atual, mas para a chance de transformar este período em um campo fértil para o plantio de boas idéias e projetos que germinarão trazendo ricas oportunidades no futuro. Estarão à frente àqueles gestores e municípios que tiverem entendido o momento atual como um “Tempo de oportunidades”.


André Viana de Paula

INÍCIO DAS ATIVIDADES

O blog Observatório Turístico foi criado com a missão de ser uma ferramenta eficaz e inovadora para a difusão de temas, discussões e informações em geral sobre o turismo em Minas Gerais, no Brasil e no mundo.

O blog é um espaço aberto ao leitor para a apresentação de artigos técnicos, opiniões e comentários sobre o conteúdo exposto.

À frente deste blog está o Turismólogo André Viana de Paula, Especialista em Gestão Estratégica de Empresas e Consultor em Gestão e Planejamento Estratégicos de Turismo, e uma equipe de Turismólogos, Historiadores e Geógrafos como colaboradores.