A formação profissional em Turismo passa por um momento de singular importância, que demanda especial atenção do ponto de vista das transformações e resultados a serem gerados para profissionais e sociedade.
Os 10 últimos anos do setor foram marcados pela ascensão e queda dos cursos de bacharelado em Turismo de instituições privadas por todo o país. Entre 2001 e 2003, o estado de Minas Gerais possuía oferta de quase 50 cursos, sendo que, agora em 2009, não há mais do que 10 em plena atividade. Infelizmente, nem o crescimento e nem o decréscimo verificados de cursos significou ganho de qualidade na formação dos estudantes.
Projetos pedagógicos arcaicos, capital humano despreparado, redução drástica de investimentos em atividades práticas, colegiados e corpo docente sem espaço para participar e intervir nas tomadas de decisões, inexistência ou desempenho insatisfatório de laboratórios e projetos de extensão, carência de bons projetos de iniciação científica, e falta de sintonia com o mercado de trabalho, são alguns dos fatores comuns aos cursos e muito prejudiciais ao aprendizado dos alunos.
Interesses meramente mercadológicos e financeiros, sem qualquer compromisso com a qualidade da formação dos graduandos, têm estimulado instituições a ofertarem novos formatos de curso superior, os quais muitas vezes nada mais são do que o resumo de cursos ruins já degradados que recebem uma maquiagem de modernidade e resultado de curto prazo. O fato é que é freqüente a formação de profissionais cada vez menos capazes de compreender a atividade turística e suas inter-relações de ordem econômica, cultural, social e ambiental, e de atuar com destaque nos diversos segmentos do setor. Ao final a única “vantagem” para o aluno é a redução das parcelas de pagamento para a obtenção do diploma, o qual se mostra pouco eficiente em geração de oportunidades, trabalho e renda dignos, e satisfação pessoal.

O objetivo deste artigo não é o de desconsiderar a necessidade de cursos Técnicos e Tecnológicos para o setor de turismo. Isso é inquestionável. Mas ao realizar uma análise sobre os currículos de vários cursos técnicos, tecnológicos e de bacharelado nesta área, verifica-se a similaridade nos conteúdos e propostas em rota de colisão. O resultado são técnicos e tecnólogos formados sem deter competências operacionais, e bacharéis sem habilidades estratégicas e gerenciais. Ao final, a ineficácia dos cursos torna-se aparente e estes acabam por adentrar ciclos de decadência caracterizados pela queda das receitas, diminuição de investimentos, perda de qualidade e redução da demanda.
Assim, é extremamente importante que sejam definidas as competências de cada um dos tipos de cursos existentes e que as instituições estabeleçam o compromisso com a formação profissional adequada aos objetivos dos estudantes e coerentes com a realidade do turismo.A perspectiva de crescimento superior da atividade turística em relação ao PIB nacional somente será viabilizada se o país puder contar com profissionais capazes de analisar, inovar e gerir o turismo com inteligência. Portanto, é inadmissível que profissionais continuem sendo formados sem entender qual o seu campo de atuação.
André Viana de Paula
Consultor em Gestão Pública e Privada do Turismo
As consequências da péssima qualidade dos cursos é vista no cotidiano de quem está no mercado. Atualmente os novos profissionais não têm péssimo preparo e saem da faculdade muitas vezes sem o básico da área, denegrindo a imagem daqueles que se esforçam para fazer do Turismo uma profissão bem paga e reconhecida.
ResponderExcluirNa maioria das vezes isso é culpa do aluno que não batalhou por sua profissionalização, investindo em cursos e capacitações fora do ambiente acadêmico..Mas muitas universidades também deixam a desejar, professores despreparados, que não entendem do mercado de turismo e sem didática desanimam o estudante de turismo que não enxerga exemplos de bons atuantes no mercado de trabalho. O turismo é realmente feito de contatos..
ResponderExcluirAndré,
ResponderExcluirlecionei em um curso técnico em Turismo até o final do ano letivo de 2008. A experiência foi significativa na compreensão de que existe uma indefinição no mercado sobre o âmbito de atuação dos técnicos em Turismo. Além disso, verifica-se que os cursos técnicos são limitados em relação às amplas possibilidades na formação de um profissional do setor turístico, o que permite entender alguns dos motivos da pouca demanda pelo curso. Acredito que o encerramento de muitos cursos de Turismo, técnicos ou superiores, tem relação com a pouca compreensão das áreas de atuação desses profissionais.
Abs