segunda-feira, 18 de maio de 2009

EM QUE POSIÇÃO NÓS REALMENTE ESTAMOS?



Estrada Real
Igrejas fechadas decepcionam turistas

“Eu e três amigas, em busca de um bom passeio de fim de semana, optamos pelo circuito da Estrada Real, entre Barão de Cocais e Brumal, passando por Santa Bárbara e Catas Altas, na Região Central do estado. Em nossa mente, igrejas barrocas, monumentos, lindas paisagens, artesanato, doces, produtos típicos mineiros para presentear amigos. Fomos, vimos e saímos de mãos abanando. As igrejas, o comércio e os serviços de apoio turístico estavam fechados – isso num sábado de manhã. Ficamos sabendo que nos fins de semana nada funciona, o que é um contrassenso. Não havia sequer um banheiro, uma sorveteria (a única de Catas Altas estava inoperante), um restaurante legal (conseguimos um em Brumal, já no fim do passeio). Turistas estrangeiros, cheios de máquinas fotográficas sofisticadas, desanimados, não entendiam o porquê de tanto descaso. Então é assim que o governo pretende incrementar o turismo em Minas? Parece piada, mas restaurante fechado no horário de almoço é mesmo o fim da picada. Vamos acordar, minha gente!”

Maria Solange Amado Ladeira - Belo Horizonte
Carta transcrita do jornal Estado de Minas do 1º de abril de 2009 - Primeiro caderno “Cartas à Redação", pág. 8.
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Nos últimos dois anos houve uma ampla divulgação sobre a 2ª posição de Minas Gerais no ranking do turismo receptivo no Brasil. A partir disso, muitos foram os que proclamaram que a política pública do estado seria o fator principal deste avanço. No entanto, acredito que a carta acima demonstre de forma mais transparente a situação atual do turismo mineiro. Não quero aqui discutir o mérito e as particularidades das informações descritas, mas sim o sinal de alerta que este relato aponta.

A turista em questão cita a inoperância de atrativos e serviços básicos para ocorrência de viagens em Catas Altas, Santa Bárbara e Barão de Cocais, mas isso não é exclusividade destas localidades. Na verdade esta é uma situação comum em quase toda Minas Gerais.

Já são 6 anos da política de regionalização nas atuais administrações federal e estadual, e algo em torno de 10 anos, se considerarmos a gestão de Itamar Franco. Entretanto, o fato é que os resultados são inexpressivos e esta política não transformou em realidade o turismo no estado. Por exemplo, é possível responder com exatidão quais são os resultados palpáveis em termos de aumento de fluxo de viajantes; de crescimento do número de empresas turísticas; de geração de emprego; ou de distribuição de renda?

Atualmente, a atividade turística em Minas necessita de políticas públicas de turismo eficazes, que proporcionem resultados factíveis e convincentes. Para tanto, é fundamental que seja transformada a atuação do governo. É preciso que os nossos governantes encarem a atividade turística como uma área estratégica para o desenvolvimento do estado.

Neste ano vimos ações do governo federal direcionadas à diminuição da tributação dos setores automobilístico e de eletrodomésticos, além do programa de incentivo ao crédito para a compra de casas próprias. Tudo isso gerou o aumento de vendas e fez com que a indústria automobilística tivesse seu melhor 1º trimestre da história.

A atividade turística em Minas também precisa de incentivos. A tributação do setor precisa de uma revisão urgente e é necessário que sejam criados subsídios concretos para a instalação de novas empresas nos setores da hotelaria, agências de receptivo no interior, pequenas empresas de transporte. Caso contrário, no futuro as experiências dos turistas não serão muito diferentes do que foi relatado no jornal.

A estratégia de promoção do turismo de Minas também está no sentido inverso do ideal. Atualmente investe-se muito em divulgação fora do estado e do país, mas não há estímulo para que o mineiro realize viagens dentro do seu próprio estado. A consolidação da atividade no estado deveria estar fundamentada no aumento dos fluxos regionais, o que não é verificado hoje. São ao todo 43 circuitos, os quais envolvem 600 municípios, mas que de fato não se traduzem em regiões turísticas para os seus moradores.

Estamos em um momento crucial entre a profissionalização da atividade turística ou a frustração que poderá vir do fracasso da política de turismo adotada. Desse modo, a criação de um ambiente favorável a investimentos poderá ser o passo no sentido do estabelecimento de uma posição sólida de Minas Gerais no contexto do turismo nacional.


André Viana de Paula
Consultor em Gestão Pública e Privada do Turismo
vianadepaula@gmail.com

3 comentários:

  1. Esse tão esperado incentivo seri o ICMS turístico. De qualquer forma, não é aceitável que esse tipo de coisa aconteça em qualquer circuito, ainda mais o Estrada Real.
    A quantidade de circuitos implantados dentro de uma mesma região, torna ainda mais dificil a administração dos mesmos, e a divulgação acaba sendo execessiva sobre um memo local, o que algumas vezes, atrapalha o turista em sua escolha.

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  2. Nosso Turismo precisa de incentivos, de políticas públicas eficazes, de profissionais competentes, de promoção adequada, de seriedade, de investimentos da iniciativa privada...

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  3. Essa é a realidade das Catas Altas, e demais cidades mineiras, é triste depois de tanto tempo trabalhando naquele lugar ler esse tipo de notícia. Quem faz turismo acontecer é a iniciativa privada e esta nos serviços de turismo ainda pouco profissional, é pouco interessada em investir e se qualificar, além de não entender o que é trabalhar nessa atividade.

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