quinta-feira, 16 de abril de 2009

REGIONALIZAÇÃO DO TURISMO - PARTE 1


Este artigo se propõe a analisar a implantação de territórios turísticos regionais, que define novas estruturas de organizações socioespaciais. Essa tem sido a referência das políticas de turismo no Brasil. Políticas federal e estaduais têm apresentado programas e projetos que visam esse (re)arranjo do espaço, mas é importante refletir sobre o que significa essa estruturação regional e quais são as suas conseqüências.

No Brasil, pode-se destacar que a regionalização do turismo está na pauta do governo federal desde 2003, tornando-se uma questão referencial para a discussão sobre o desenvolvimento deste setor no país. Essa proposta determina a reconfiguração do arcabouço territorial, que implica na sua interiorização, ampliando, com isso, o número de empresas turísticas e, consequentemente, o número de emprego e a renda dos moradores das áreas de destinos turísticos e provocando a desconcentração espacial da economia (PNT 2003-2007).

A princípio a estruturação regional do turismo é vista, também pelos governos estaduais e municipais, como uma solução para que os municípios de menor porte, mas com potencial turístico, se associem aos pólos, possibilitando uma maior capacidade de captação de recursos, de capacitação dos recursos humanos e de divulgação do potencial turístico dos municípios.

Dessa forma, a partir da regionalização o turismo deixa de ser produzido em áreas urbanas isoladas, e passa a ser constituído por um conjunto de lugares turísticos. Essa alternativa espacial visa facilitar e dinamizar as relações socioeconômicas, ampliando os fluxos que vinculam as localidades, se conformando em múltiplas territorialidades, estruturadas através de redes complementares de equipamentos e serviços turísticos e de infra-estrutura básica, compondo um produto turístico final mais complexo.

Neste sentido, a estrutura de rede, estabelecida a partir do processo de produção do espaço regional, visa gerar um sistema de relações, instituindo novas interações entre os municípios e entre os diferentes atores envolvidos. Através desse processo pretende-se, portanto, desencadear uma série de desdobramentos socioespaciais, econômicos e políticos, que extrapolam as decisões municipais.

Porém, uma das questões que deve ser colocada para o debate é: Quais são os efeitos práticos dessa estruturação regional do turismo? O que se pode perceber até então são iniciativas sobrepostas de modelos implantados nos estados, a partir de diferentes atores políticos e sociais. E, todos eles, até então, com dificuldades de consolidação e de convencimentos de setores chaves da cadeia produtiva do turismo para o incremento dos produtos regionais. Inicialmente, esses são alguns aspectos relevantes para abrir uma discussão acerca dos resultados concretos da atual Política Nacional de Turismo.




Profª. Mônica de Castro Domingos
Mestre em Geografia e Meio Ambiente e
Bacharel em Turismo







Profª. Marcella Cristiane Amaral Scotti
Mestre em Geografia e Meio Ambiente e
Bacharel em Turismo

domingo, 5 de abril de 2009

O SUJEITO DO TURISMO: A BUSCA PELO PRAZER DA VIDA EM SOCIEDADE



O fenômeno turismo movimenta-se em diferentes fronteiras do conhecimento e das ciências, e seu entendimento passa necessariamente pela aproximação dos diversos campos do saber. A sociedade atual, ao mesmo tempo em que é global, passa, também, por um processo de identificação grupal, o que Maffesoli chama de tribalismo (1996: 15-16), na qual a ética, que agrega o grupo, torna-se estética, emotiva, comum, possibilitante de uma mistura do arcaico com o contemporâneo tecnológico, onde a satisfação nasceria da expectativa da procura do prazer, que se situa na imaginação dos sujeitos individuais e grupais.

A motivação desses sujeitos em relação ao consumo, não é simplesmente materialista, existe a procura de vivenciar, “na realidade”, os dramas agradáveis que já vivenciaram em sua imaginação, mesmo que estes jamais sejam perfeitos e por vezes conduzam à desilusão e ao anseio por produtos novos.

Entender o sujeito do turismo como tipo ideal weberiano é restrito ao homo economicus, e a esse sujeito são negados a prosa e poesia que se traduzem em viver na participação, no amor, no fervor, na comunhão, na exaltação, no rito, na festa, na embriaguez, na dança, no canto, o que, efetivamente, transfigura a vida prosaica, feita de tarefas práticas, utilitárias, técnicas. Partir de férias é um acontecimento dotado de uma série de significados, turismo é processo humano, ultrapassa o entendimento como função de um sistema econômico.

O fenômeno turístico influência é influenciado pela produção da subjetividade social, o ecossistema, o modo estético e a herança cultural das localidades visitadas, ao tempo em que é, sim, umas das atividades econômicas que mais cresce no mundo a uma média de 7% ao ano de 1950 a 1990 segundo a OMT.

Deve-se entender o turismo como uma importante atividade econômica, que possibilita a geração de emprego e de renda, mas turismo significa conhecer as causas que fazem com que haja a necessidade das viagens, significa compreender que o sujeito do turismo, esse homem pós-moderno, urbano, cada dia mais racional e sedentário têm por necessidade encontrar-se, buscar a felicidade e conhecer o outro, portanto compreender o turismo é desta feita conhecer as pessoas, conhecer o novo, vivenciar expectativas.





Fernando Ottoni
Turismólogo e Especialista em Turismo e
Desenvolvimento Sustentável